O AMOR E OS AMIGOS
Nosso coração é uma casa onde ninguém entra e sai, com
ou sem nossa permissão, sem deixar marcas nas paredes.
Muitos deixam marcas profundas ...porque são suaves e sutis...
Como explicar o que é o amor e o que é o Belo?!
E cada vez que tocamos nossa alma com nossas
recordações lá estão os traços, invisíveis,
mas legíveis, como as escrituras em Braile.
É suficiente fechar os olhos para ver toda uma história
gravada nas paredes do nosso ser.
Nesses momentos nosso rosto sorri sozinho....
Os amores deixam marcas ..eles deixam um gosto doce ....
Sim, eles têm mais gosto que qualquer outra coisa
porque alimentam a alma... e sempre sobem à nossa garganta
quando as lembranças nos assaltam.
De vez em quando nosso olhar se volta para esses
rabiscos mal traçados e sentimos
que é necessário completar este desenho com formas e cores...
Somos maus juízes porque confiamos demais nos nossos
olhos e de menos nas paredes do nosso coração.
Mas... De vez em quando, é preciso fazer uma boa faxina
nessa casinha tão preciosa.
É preciso polir carinhosamente, realçar as marcas bonitas
e passar tinta nova e clara nas paredes;
de vez em quando é bom abrir as janelas
e deixar que o sol entre e ilumine todos os cômodos.
E enfeitar as janelas com flores de cores vivas e alegres,
com um suave perfume...
De vez em quando é mesmo muito importante achar
o cantinho mais gostoso dessa casa e sentar-se nele.
E rir do nada. Sentir-se bem consigo...
nas cores e nas formas bonitas que ali se delinearam...
Se meu coração é uma casa,
não importa quantos entram e saem,
eu sou a dona, só eu a responsável.
Fazer mudanças necessárias.
Jogar rabiscos inúteis no lixo.
E nessa mudança, coloco de volta nas paredes as marcas
benditas que deixaram aqueles que foram bênçãos
em minha vida.
Dando a mão aos doces momentos,
os momentos felizes... simples... singelos... pueris...
Durante toda nossa existência não posso imaginar
quantas pessoas abrigamos na nossa vida.
Quando pequenos, todo mundo entra,
pois ainda não fazemos escolhas.
Crescendo, vamos aprendendo a selecionar
e permitimos ou não que entrem e façam parte de nós.
Mas há também aqueles que entram sem nossa permissão,
como uma linda melodia a enebriar e vibrar...
Fazem até bagunça, sentem-se em casa e nunca
vão embora sem deixar saudade.
E todo mundo vai deixando marcas,
mesmo aquelas pessoas que partem de mansinho
e nem percebemos direito que se foram.
Sempre aprendemos alguma coisa
com aqueles que cruzam nosso caminho...
crescemos... nos tornamos melhores.
Eu me digo, nos meus sonhos ,
que é bom ter uma casa onde tenho um quarto com paredes
brancas para escrever à medida que vou sentindo,
como faço de vez em quando com meus papéis.
Mas eu faço isso nas paredes,
igual as crianças quando aprendem a desenhar.
E acho que é muito agradável
de vez em quando entrar e ler,
pensar o que pensei em dado momento,
sentir o que senti.
É um quarto cheio de mim e
das pessoas que me inspiraram tanto,
que me fizeram sentir-me viva...
E se comparo a vida a uma casa,
o coração é esse quarto.
As pessoas entram e saem,
mas nunca chegam sem nada e nunca voltam vazias.
E vão deixando rabiscos nas nossas paredes,
nem sempre agradáveis, nem sempre bonitos,
mas todos carregados de aprendizado.
E o nosso dever é o de cuidar desse quarto
e dos seus hóspedes.
Uma vez me disseram que quando
vêm na minha casa não dá vontade
de ir embora.
Eu queria que as pessoas que
entrassem no meu coração
se sentissem assim também.
E que, mesmo quando fossem embora,
que sentissem vontade de voltar.
É importante o calor que levamos às pessoas.
E o amor. E o bem-estar.
E a ternura. E o carinho.
É importante que se sintam bem conosco.
Mas ninguém vai sentir-se bem se em nós mesmos
há impedimentos, desorganização.
Nosso coração deve ser uma casa de janelas
e portas abertas e cheia de luz no interior.
`É isso que tento dar para quem passa pela minha porta...
Saiba que você faz parte da minha casa.
Mesmo quando chegou sem eu saber
ou for partir sem dizer nada.
E quando eu estiver bem velhinha,
se Deus permitir que eu chegue até lá,
vai ser bom olhar todos esses escritos...